O renomado diretor reúne (mais uma vez) talentos já conhecidos em suas produções no novo longa da Searchlight Pictures

A Crônica Francesa”da Searchlight Pictures e Indian Paintbrush, é o décimo filme do aclamado diretor americano Wes Anderson. O filme é ambientado na redação de uma revista americana com sede numa cidade fictícia francesa do século XX, e apresenta uma coleção de histórias publicadas no veículo. Considerado uma carta de amor de Anderson ao jornalismo, mais especificamente aos veículos impressos, a produção conta com a revista The New Yorker como uma das inspirações do diretor para o longa-metragem.

Com direção e roteiro de Wes Anderson, que também atua como produtor ao lado de Steven Rales e Jeremy Dawson, o filme começa com o falecimento do adorado editor Arthur Howitzer Jr. (Bill Murray), da revista A Crônica Francesa – uma publicação dos Estados Unidos de ampla circulação com sede na cidade francesa de Ennui-sur-Blasé. Com isso, a equipe da redação reúne-se para escrever seu obituário e as lembranças de Howitzer fluem em quatro histórias: O diário de viagem Cycling Reporter que se passa pelas áreas mais miseráveis da própria cidade; “Uma Obra-Prima Concreta”, sobre um artista que é um criminoso louco, sua guarda da prisão e musa, e seus vorazes negociantes de arte; “Revisões para um Manifesto”, uma crônica do amor e da morte nas barricadas no auge dos tumultos estudantis; e “A Sala de Jantar Privada do Policial”, uma história de suspense sobre drogas, sequestro e alta gastronomia.

Wes Anderson é conhecido por sua contínua colaboração com os atores e atrizes que compõem os elencos estelares de seus filmes e A Crônica Francesa” não é exceção. Além disso, a abordagem do diretor à criação de seus filmes é única. Ele procura uma cidade ou vilarejo que sirva como base de operações, onde tudo e todos estejam a uma curta distância – seja a pé, de bicicleta ou de carro de golfe – e onde o elenco e a equipe de produção possam viver e trabalhar em comunidade.

As pequenas histórias apresentadas de forma isolada, passando a ideia de serem partes de uma Cronica só (tanto que são apresentadas em capítulos) oscilam bastante em qualidade uma das outras. As histórias que vemos ao longo do filme são as dramatizações do que seriam os textos da revista impressa num trabalho lúdico até que interessante e que claro Anderson é a pessoa que é capaz de executar. Mas ao se assistir o todo, ficamos com a sensação de faltar alguma coisa.

“O tour de Sazerac”, por Ennui-sur-Blasé (Owen Wilson): Vemos um tour numa cidade antiga que fica em uma colina, com antigas torres de uma catedral e estreitas ruas de paralelepípedos que serpenteiam entre velhas estruturas de pedra. O local possui seu charme e deterioração, sua vida noturna e seu submundo, e é onde todas as épocas parecem se dissolver na essência eterna da França que flui como as águas do vizinho rio Blasé. “Uma Obra-Prima Concreta”, de J.K.L. Berensen (Tilda Swinton): A história revela a obra do pintor criminoso Moses Rosenthaler (Benicio del Toro e, quando jovem, Tony Revolori), que é impiedosamente promovida e vendida a preços cada vez mais astronômicos para o negociante de arte Julian Cadazio (Adrien Brody) e seus tios (Bob Balaban e Henry Winkler). A obra-prima em que Moses vem trabalhando há anos é inspirada em sua carcereira e musa Simone (Léa Seydoux) e é revelada em uma grande fanfarra a um impaciente mundo da arte, incluindo o renomado colecionador e potencial comprador de seu trabalho de Kansas, Upshur “Maw” Clampette (Lois Smith). Aqui, a crítica de arte J.K.L. Berensen narra a história, e realmente se mostra a mais forte dentre todas.

“Revisões para um Manifesto”, de Lucinda Krementz (Frances McDormand): Um relato pessoal de reivindicações e paixões, de origem políticas e sexuais que empurram a juventude romântica desencantada de Ennui para a guerra com seus professores adultos, iniciando uma greve geral tumultuada que leva ao fechamento de todo o país. Os carismáticos herói e heroína de Krementz são os líderes trágicos do movimento: o sonhador Zeffirelli (Timothée Chalamet) e a inflexível Juliette (Lyna Khoudri). “A Sala de Jantar Privada do Policial”, de Roebuck-Wright (Jeffrey Wright): Retrato designado à ele pelo lendário chef Nescaffier (Stephen Park), que trabalha sob o comando do policial de Ennui-sur-Blasé (Mathieu Amalric), inesperadamente a matéria se transforma em uma angustiante história de suspense contrarrelógio. Isto acontece quando um grupo de bandidos liderados por “The Chauffeur” (Edward Norton) sequestra o amado filho e ajudante de polícia na resolução de crimes, Gigi (Winsen Ait Hellal), e ameaça matá-los se o contador de organizações criminosas locais (Willem Dafoe), recentemente preso, não for libertado.

Em resumo, o público não deverá cair de amores por A Cronica Francesa que é visualmente muito bonito, inclusive se utilizando do preto e branco, porém o longa procura se apoiar muito mais em seu conceito e no renomado nome do diretor do que entregar uma jornada palatável ao público.

Timothée Chalamet e Lyna Khoudri no filme A Cronica Francesa. Cortesia da Searchlight Pictures. © 2021 20th Century Studios All Rights Reserved

Ficha Técnica:

  • Diretor: Wes Anderson
  • Elenco: Benicio del Toro, Adrien Brody, Tilda Swinton, Bill Murray, Owen Wilson, Léa Seydoux, Frances McDormand, Timothée Chalamet, Jeffrey Wright, Mathieu Amalric e Stephen Park.
  • Distribuidora: Walt Disney
  • Gênero: Comédia  
  • Classificação: 14 Anos
  • Estreia: 18/11/2021
  • Duração: 105 min

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