“The Batman” é o novo filme de Matt Reeves. O diretor responsável por trazer uma nova perspectiva para “Planeta dos Macacos”, agora fica encarregado de redesenhar as aspirações e motivações do homem-morcego. O resultado: uma grande obra, com elementos narrativos únicos, cenas de ação eletrizantes e diversas referências ao universo de Batman nos quadrinhos. 

A construção singular e pessoal de Matt Reeves para esse novo Batman é uma nova representação do personagem, diferente de tudo que já vimos até agora. Com Robert Pattinson, esse é o primeiro Batman a trabalhar um caráter mais intimista do personagem. Isso se dá, principalmente, pelas escolhas criativas de Reeves, que adiciona um tom político e sombrio à obra. O desenvolvimento do personagem está diretamente relacionado com as pessoas ao seu redor, e as decisões de uma delas afetam diretamente sua evolução ao longo da trama. Isso mostra que o diretor estava preocupado em apresentar um enredo onde tudo está conectado e que tudo afeta na forma do protagonista enxergar a realidade ao seu redor. 

Robert Pattinson encarna o protagonista. Seu profissionalismo só mostra o quanto ele é extremamente versátil e empenhado em seus trabalhos. Em “The Batman” não é diferente. Pattinson consegue passar para o público as diversas sensações que assombram a mente do herói: medo, raiva, rancor, ansiedade e suas necessidades mais brutais e íntimas. 

A construção sonora ficou nas mãos de Michael Giacchino. O compositor já assinou em grandes obras, e agora retorna em mais uma grande composição. Somando com a construção narrativa sombria de Reeves, Giacchino adiciona mais uma camada à trama ao propor músicas que remetem a filmes de terror. Ao mesmo tempo, ele expande a mente do protagonista para os olhos do espectador, e dessa forma, nos sentimos mais próximos de suas necessidades. A construção visual, por sua vez, nos insere em cenários exuberantes, uma terra sem lei, e no submundo sujo do crime organizado de Gotham. A câmera ocupa posições estratégicas para construir as mensagens propostas pelo diretor. Além disso, percebemos que algumas experimentações visuais nos proporcionam cenas de ação com um realismo único – em contraposto ao artificialismo que vemos em outros filmes do gênero.

“The Batman” é uma jornada pessoal do personagem em busca de resposta para seus dramas pessoais. Durante todo o filme, suas atitudes e decisões são postas em cheque pelas ações do vilão. Essa jornada permite alguns questionamentos necessários ao herói. Vingança ou esperança? Medo e trevas ou luz? O roteiro ajuda na formulação dessas perguntas e também as responde ao longo de seu desenvolvimento. 

Concluindo, o filme é uma impactante jornada do herói, feita de uma forma original e envolvente. O público, sem dúvida, chega com uma expectativa muito alta e essa será saciada. No entanto, não é um filme com muitas surpresas. A obra entrega aquilo que propõe, e essa entrega é excepcionalmente boa. É uma nova versão do personagem, nunca vista no cinema.  

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