por Lucas Magalhães

Após uma espera ansiosa, finalmente podemos contemplar esse evento chamado Duna. Villeneuve já é um nome conhecido no mundo da ficção científica, dirigindo os filmes A Chegada e Blade Runner 2049, sendo esse último uma sequência do filme de Ridley Scott. Agora o diretor vai além, em uma empreitada que o leva ao máximo de sua carreira. Pode-se dizer que esse é um dos melhores filmes do gênero dos últimos tempos, não só pela narrativa pacientemente construída – em um filme com um pouco mais de 2h30min -, como também pelos incríveis efeitos visuais e sonoros que não só complementam a obra, mas fazem parte dela em um épico espacial completo. 

Denis Villeneuve deixou bem claro o quanto queria que esse filme fosse visto – ou melhor, contemplado – nos cinemas, e não é para menos. Impecável nos quesitos técnicos, Duna te carrega para uma história repleta de simbolismos, lendas e terras distantes. A imersão fica ainda mais completa com os Planos Gerais usados pelo diretor, esses que nos deixam dentro de batalhas e ambientações remotas, com cenas coordenadas de forma precisa e confiante, refletindo na obra como um todo. Villeneuve não quer apenas mais um filme, ele quer uma adaptação completa e uma memorável experiência para quem gosta de apreciar o cinema ao máximo. 

Timothée Chalamet em seu personagem Paul Atreides é quem ganha mais destaque em relação ao desenvolvimento e amadurecimento ao longo do filme. Zendaya tem pouca presença de tela aqui, aparecendo como vislumbre em algumas cenas, mas sempre fazendo parte dos sonhos do protagonista Atreides ou contracenando com ele. Os outros atores Rebecca Ferguson, Oscar Isaac e Jason Momoa já são bem definidos e alocados de forma precisa em cena, sem espaço para adquirir outras características além daquelas já concebidas; mesmo assim, suas representações permitem uma proximidade com o público e, com isso, abrem espaço para seu protagonismo. 

Sem dúvida os efeitos visuais e sonoros são as características que mais impressionam no filme. Além da bela fotografia, e dos cenários exuberantes, também temos a inserção de elementos gigantescos – como monstros e naves – feitos para serem alocados de forma realista na trama. Os sons épicos estão continuamente presentes ao longo da obra e antecedem conflitos, conversas, resoluções, descobertas, e geram uma certa ansiedade e excitação no espectador pelo próximo passo da narrativa. Sem contar outras partes técnicas como maquiagem e figurinos presentes de forma sagrada e ritualística, na medida certa para juntar um futuro distópico com características medievais.  

Não dá para falar a experiência de fato, porque essa tem que ser vivida, mas a verdade é que Duna cumpriu com sua promessa e chega como uma obra impecável e exuberante, uma narrativa segura e personagens construídos de forma sólida. O filme é longo e pode ser um pouco cansativo para os que não são ávidos pelo cinema, mas para quem tem paciência de assistir uma boa história e gosta de filmes de ficção científica, é um trabalho completo. Podendo dar as caras, inclusive, no Oscar do ano que vem. 

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