Escrito por: Bianca de Oliveira Pires

Baseado em um super premiado musical da Broadway (com direito a prêmios no Tony, Grammy e Emmy), o longa segue a história de Evan, um adolescente com problemas de ansiedade social e depressão, que anseia por compreensão e pertencimento. Porém, tudo começa a mudar na vida de Evan quando um dos seus colegas de classe comete suicídio e está com uma carta dirigida a ele no seu bolso, como se fosse suas últimas palavras. O problema é que foi o próprio Evan que escreveu essa carta para si mesmo, como exercício proposto na terapia. E ao não conseguir ser honesto sobre isso com a família do rapaz, ele passa a viver uma nova vida baseada numa mentira.

A direção fica por conta de Stephen Chbosky, que escreveu a adaptação para os cinemas do musical Rent de 2005, além de dirigir os filmes “Extraordinário” em 2017, e a versão cinematográfica do seu próprio livro “As Vantagens de ser Invisível”, feita em 2012. Por esses exemplos já dá pra saber que o diretor trabalha bem com temas sensíveis, e que em seus filmes terão muitas cenas para emocionar o público. Porém, nem sempre só isso basta. A direção demora bastante para achar um tom satisfatório no início de “Querido Evan Hansen”, principalmente nas sequências musicais, com algumas delas sendo até desconfortáveis de assistir. Mas o problema dessas cenas não é somente da direção, mas também da caracterização de Ben Platt, o ator principal do longa.

Já estamos acostumados com atores de quase 30 anos interpretando adolescentes no cinema e na tv, porém, no caso desse filme, é injustificável a quantidade de maquiagem e até mesmo próteses que utilizaram para o ator parecer mais jovem, sendo que nem para isso elas adiantaram. Por mais que seja inegável o talento de Ben Platt, e de todo o sucesso que ele teve sendo o primeiro ator a interpretar Evan Hansen na Broadway (levando o Tony pelo papel em 2017), fica difícil aceitar ele no personagem com toda essa caracterização por trás.

Além disso, o filme do meio para o final acaba apelando bastante para as cenas mais melodramáticas, que com certeza irão emocionar muitos. Ainda mais por ser recheado de músicas que tratam de temas próximos do público, como: saúde mental, problemas familiares, desejo de se sentir incluído e as mazelas das redes sociais.

Por mais que o roteiro traga boas lições sobre esses assuntos, ele realmente não se aprofunda muito em nenhum deles, principalmente na questão que é a mais sensível de todo o filme: o suícidio que acontece logo no início. E mesmo com esse tema voltando durante todo o longa, diversas vezes parece que ele só é deixado como plano de fundo, sem ser dado a devida importância em comparação aos outros problemas que Evan está enfrentando.

Portanto, “Querido Evan Hansen” é um filme que emociona, mas não se aprofunda. Que tem um ótimo elenco (com nomes como Amy Adams, Julianne Moore, Kaitlyn Dever e Amandla Stenberg), mas que não é muito bem aproveitado. E que quer passar uma bela mensagem através de suas músicas sobre prevenção a saúde mental, e de como sempre podemos mudar a partir de nossos piores momentos, mas que acaba sendo ofuscada por decisões bem ruins que foram tomadas nessa produção.

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