Dando sequência ao seu impressionante acervo de animações baseadas no universo da DC Comics, a Warner Bros. lançou no mercado doméstico seu novo longa: Batman vs. Robin. A trama da nova animação continua os eventos vistos em Son of Batman, tendo como maior protagonista Damian, filho de Bruce Wayne com Talia Al Ghul, que aqui tem 10 anos de idade. Como neto do emblemático vilão Ra’s Al Ghul, o garoto foi criado para ser um verdadeiro guerreiro da Liga dos Assassinos e mais uma vez vemos do que ele é capaz.

Com direção do experiente Jay Oliva (responsável por várias animações recentes da DC, como Liga da Justiça: Trono de Atlântida e Batman: Ataque ao Arkham), o novo longa conta com muitos elementos dos Novos 52 e dispensa vilões clássicos para garantir a atenção do grande público. Logo no primeiro ato vemos uma investigação conduzida por Robin que leva ao confronto com o Criador de Bonecas, que sequestrou crianças de Gotham para realizar experimentos sinistros. No embate entre eles, Damian leva a melhor e passa pelo dilema de matar ou não o inimigo, criando uma balança moral que dá força ao enredo.

Também na sequência inicial vemos Batman chegando ao local logo após a saída de um personagem misterioso, que mata o vilão e planta sérias dúvidas na mente de Robin, o que dá o pontapé inicial para o embate previsto no título. Apesar do grande confronto direto entre o Homem Morcego e seu filho rebelde, a construção do enredo vai muito além do conflito e trabalha com questões típicas de pais e filhos. Esta diferença ideológica coloca Bruce numa posição delicada, onde o personagem que consegue vencer praticamente qualquer adversário com preparo precisa se esforçar para manter a pouca estrutura familiar que lhe resta.

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Como grande antagonista da vez temos Garra, assassino número um da Corte das Corujas. Sim, a organização secreta que controla Gotham, apresentada no arco de abertura do Batman nos Novos 52, tem sua estreia fora dos quadrinhos e serve de pano de fundo para criar uma releitura interessante da origem do herói. Apesar de já termos visto inúmeras vezes a morte do Sr. e da Sra. Wayne, aqui temos uma conspiração que deixou Bruce obcecado desde criança e o fez tornar-se o maior detetive do mundo. Com o envolvimento da Corte, Batman não descansa até descobrir o que acontece na cidade e acaba enfrentando diretamente uma quantidade enorme de assassinos em combates sangrentos muito bem animados.

Na segunda metade do filme temos várias sequências de ação brutais e aceleradas, onde temos uma ótima participação do Asa Noturna, o primeiro Robin Dick Grayson. Interessante notar também o confronto direto entre o Robin de primeira com o de atual geração, que gera diálogos ríspidos entre os personagens. Por falar em diálogos, mais uma vez Batman é dublado pelo veterano Jason O’Mara enquanto Stuart Allan repete o bom trabalho como Robin. Assim como a animação de alto nível, o filme é bem dublado e conta com muitas frases de efeito, cumprindo a missão de entreter. Com inúmeros momentos brutais, a trama leva os aliados de Batman a defender a Mansão Wayne de uma invasão, o que nos traz cenas memoráveis, como o mordomo Alfred usando uma espingarda ao lado de um robô blindado.

Servindo de homenagem ao histórico recente do personagem nos gibis, não faltam referências para os leitores, como uma aparição da polêmica versão de Damian vista na revista Batman 666 (os fãs de Grant Morrison irão reconhecer), além do labirinto da Corte, visto na HQ escrita por Scott Snyder. Com uma trama bem desenvolvida e combates de sobra, temos no saldo final uma história que prende atenção do início ao fim e uma das melhores animações da DC até então. Diante de tantos lançamentos de peso, fica difícil não criar uma expectativa alta para próxima animação, Justice League: Gods and Monsters, que chega no dia 28 de Julho.

Ficha Técnica
Batman vs. Robin – 2015
Duração: 80 minutos
Gênero: Animação
Direção: Jay Oliva
Roteiro: J.M. DeMatteis

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