Resenha | Coringa

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8.5
Joaquim Phoenix dá uma cara nova para o personagem do Coringa, surpreendendo e até mesmo superando um dos maiores anteriormente que era o de Heath Ledger.

A DC sempre teve um grande problema com sua aparência nos cinemas. Com seu tom mais sombrio adotado em muitas das HQs mais recentes, nas quais desenvolvimento dos personagem é sempre ótimo, o cinema nem sempre foi seu lugar de sorte.

Atualmente boa parte do público assume posição de torcedores, focando em criar intrigas e comparações geralmente descabidas, não perdendo tempo em mostrar sua preferência entre a DC e Marvel nas telas – mesmo que cada uma tenha uma cor e forma de contar a história de seus heróis.

Após alguns acertos, caídas e perrengues pelo caminho, a DC decidiu trazer mais um filme para as telas, assumindo que seria algo fora dos quadrinhos e sombrio da forma que merece, neste aspecto superando até mesmo o Coringa de Heath Ledger. Chega aos cinemas agora em outubro o tão esperado filme solo do nosso vilão mais icônico, Coringa protagonizado por Joaquim Phoenix.

Em Coringa  acompanhamos a história de Arthur Fleck (Phoenix), que não só sofre de transtornos mentais, como também precisa cuidar de sua mãe em apartamento minúsculo, isso tudo enquanto aguenta uma vida de palhaço – literalmente – onde gira placas na rua, anima crianças em hospitais e tudo que necessite trazer um pouco de sorriso para as pessoas. E, enquanto faz isso ele persegue o sonho de ser comediante stand-up.

Posso começar respondendo de forma clara que o filme é incrível! Fazia um certo tempo que não saia perturbada, pensativa e triste – no bom sentido – de um filme do universo de heróis/vilões. Já conhecemos muito bem a história do personagem em outras versões de filmes do Batman e até mesmo nas HQs, principalmente em uma das mais famosas ‘A Piada Mortal’.

Muitas referências podem ser encontradas durante o filme, seja em um ato, objeto e até mesmo personagem – como a figura de Bruce Wayne ainda muito jovem. Mas, já foi dito que toda a história foi criada para ser algo totalmente diferente e é aonde essas pequenas referências que entram podem atrapalhar um pouco a imersão de algumas pessoas, principalmente aqueles que gostam do universo de Gotham.

Phoenix entrega uma atuação belíssima e merecedora de Oscar, onde a perda de peso e entrega ao personagem lembram muito algumas atuações de Christian Bale, com sua capacidade de se transformar para dar vida a um personagem sem nenhum problema – como em O Operário e Vice. A transformação de Phoenix durante o filme é algo surpreendente, onde temos uma complexidade maior da figura do Coringa, trazendo a tona problemas da sociedade em que os pobres simplesmente são esquecidos e a alta sociedade sempre ganha destaque. O esquecimento para com as pessoas que tem problemas mentais e transtornos, o que muitas vezes ainda é um tabu e até mesmo ousam usar a palavra “frescura” para certos problemas, achando que precisamos estar sempre sorrindo e os problemas irão desaparecer.

A fotografia e trilha sonora se complementam de forma surpreendente, onde temos uma paleta de cores cinza, mas que vai de certa forma ganhando cor com o desenvolvimento e crescimento do personagem na hora de se libertar e transformar. As cenas são bem explicitas, o diretor Todd Phillips não teve medo de mostrar nada, já que a sociedade não tem tarja de censura e precisa exibir bem pelo que os seres humanos passam, já que muitas vezes acabamos pensando apenas em nos mesmos e esquecemos do próximo, perdendo o senso de humanidade.

Coringa é realmente uma obra de arte. Pode conter alguns pequenos problemas, mas que sinceramente não conseguiram interferir no amor e angústia que senti assistindo a sessão. E, talvez possar ser o filme que dê uma levantada no universo cinematográfico da DC, visto que após este longa pode aceitar fazer seus filmes sombrios medo e sem amarras com universos complexos, entendendo que pode muito bem ser incrível se feito da forma certa.

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