Resenha Crítica | Free Guy: Assumindo o Controle

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Depois de sucessivos adiamentos, devido a pandemia causada pelo Covid, finalmente Free Guy: Assumindo o Controle é lançado!

No longa dirigido por Shawn Levy (Uma Noite no Museu), Ryan Reynolds (Deadpool) interpreta o personagem Guy, um caixa de banco, que leva uma vida extremamente ordinária, sem qualquer noção de ser, na verdade, um personagem não jogável dentro de um jogo.

Ele faz parte do game online de mundo aberto Free City – que se assemelha bastante aos games da franquia GTA. E, eles brincam bastante com isso! Mostrando que enquanto os personagens não jogáveis estão vivendo suas pacatas rotinas, eles ainda precisam lidar com assaltos, explosões, roubos e diversas coisas surreais como se fossem parte de seu cotidiano.

Eventualmente ele conhece Milly, o avatar de uma jogadora real, interpretada por Jodie Comer (Killing Eve), e começa a se tornar mais ciente da realidade ao seu redor, saindo de sua configuração e vivendo no jogo.

Isso leva ela e seu amigo Keys, vivido por Joe Keery (Stranger Things), a tentarem encontrar alguma forma de proteger Guy antes que o criador do game, Antoine, interpretado por Taika Waititi (Thor: Ragnarok), descubra o que está acontecendo.

Como é possível notar, o filme, por si só, tem uma premissa muito interessante! Mas, nem sempre boas premissas se traduzem num bom filme. Exemplos clássicos, na minha visão, são Sucker Punch, dirigido por Zack Snyder, e Pixels, estrelado por Adam Sandler.

Porém, em Free Guy isso felizmente não acontece. Não só a premissa é boa, como o roteiro em si é muito bom e faz o filme funcionar muito bem. Isso porque os personagens são, em sua maioria, bem desenvolvidos e suas ações fazem sentido na história, não sendo apenas uma ferramenta para levar a trama do ponto A para o ponto B.

No filme, Ryan Reynolds não fica restrito unicamente ao seu carisma. Portanto, não é simplesmente Ryan Reynolds interpretando a si mesmo. Afinal, Guy começa como um personagem um tanto quanto ordinário e ingênuo – ao ponto de sua ingenuidade chegar a ser contagiante. E, é somente no decorrer no filme que o personagem vai adquirindo mais e mais confiança. Contudo, ainda sim, passando longe do show de tiradas rápidas que se tornaram marca registrada do ator.

Quem também faz um belo trabalho no filme é a atriz Jodie Comer, sendo talvez, quem mais trabalha. Afinal de contas, ela é quem por mais tempo precisa balancear sua personagem no mundo real com seu avatar no jogo. E, ela faz isso muito bem! Equilibrando a liberdade que seu avatar tem no game, mas nunca se afastando completamente de sua personagem da vida real.

Joe Keery dá sinais de que pode em breve estourar em Hollywood. Já que, ainda que não roube a cena, é extremamente fácil simpatizar e torcer por seu personagem.

Do elenco, o único que destoa é Taika Waititi no papel do vilão Antoine. A performance extremamente exagerada não se comunica tão bem com as demais atuações, com seu personagem as vezes se parecendo mais um avatar de seu próprio game do que alguém real. Porém, mesmo assim, ele entrega algumas piadas que nos tiram boas risadas.

E, falando em risadas, isso o filme entrega! E, como entrega! Aliás, sendo primordialmente uma comédia, seu papel é divertir e nos fazer rir. E, para mim, é esse aspecto que mais deve ser levado em consideração ao analisarmos esse filme.

Sobre a estética, eu curti demais! A ideia dos óculos servirem para nos apresentar o mundo do game funcionou brilhantemente. Explicando melhor, os avatares dos jogadores usam óculos, e, quando Guy coloca um deles, o verdadeiro mundo por trás de Free City é revelado. Com isso, ele passa a ser capaz de ver as missões, itens e demais elementos do game, assim como quem está jogando.

Nesse ponto, me lembrou inclusive o clássico de terror Eles Vivem, do diretor John Carpenter. E, creio eu, muito provavelmente, deve ter sido uma forma de homenagem.

Só que para que tudo isso funcionasse, os efeitos especiais precisavam ser muito bem-feitos, e são! Ao optar corretamente, ao meu ver, em não criar um mundo totalmente em computação gráfica para o game – como fizeram e Jogador Número 1 – puderam investir naquilo que era realmente necessário, como a ação e um visual mais único.

Por fim, destaco que o filme ainda conseguiu se aproveitar bem dos sucessivos adiamentos, já que quando teve sua produção iniciada ainda não tínhamos aquisição da Fox por parte da Disney. Logo, com os atrasos, eles acabaram conseguindo se aproveitar disso em alguns momentos.

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