Resenha | Euphoria – 1ª Temporada

0
333
9.5
Euphoria fala sobre um tema muito complicad de maneira simples, sem romantizar o sexo, consumo de álcool e drogas, traumas, sexualidade e a pressão que o jovem sofre nessa transição da adolescencia para a fase adulta.

Atualmente é difícil assistirmos séries que nos deixem empolgados. Os heróis estão desgastados e a comédia sempre indo pela mesma vertente, mas se tem algo que pode ser muito bem feito e que vale vários temas é o drama, e com toda certeza a HBO está sendo campeã esse ano.

A emissora sempre nos impressionou com seus conteúdos de drama, isso não é algo novo, mas esse ano chegou com o pé na porta novamente. Temos grandes séries como; Veep, Sharp Objects, Big Little Lies – que voltou com tudo em 2019 com sua segunda temporada -, Chernobyl – que veio em modelo de mini série com apenas cinco episódios, mas que conta bem a história dos acontecimentos na cidade de Pripyat – e agora temos mais um grande sucesso que é Euphoria, onde a adolescência é contada de forma nua e crua, sem romantizar e estereotipar.

A trama é narrada pela jovem, Rue (Zendaya) que após sair da reabilitação por seu vício em drogas – e sofrer uma overdose – volta a sua rotina em casa e escola, mas obviamente usando suas drogas para conseguir aguentar as pessoas e a vida. Uma nova menina se muda para a cidade, Jules (Hunter Schafer) que com seu jeito único muda a vida de Rue e de algumas pessoas que está ali a sua volta.

Euphoria (HBO)

A forma que a história é contada é muito boa, sem defeitos para serem destacados. No formato de narrativa feito por Zendaya – já que Rue é quem nos apresenta cada um dos personagens durante a temporada – contamos com cenas que parecem quase um clipe musical – graças a produção executiva incrível comandada por Drake – e momentos de quebra da quarta parede.

A direção de Sam Levinson (‘Assassination Natin’), faz toda a diferença, com sua visão de jogo de câmera e montagem de cenas, temos uma obra de arte perfeita e que só especialistas podem tocar. O elenco também não fica de fora, com interpretações surpreendentes como o de Jacob Elordi (‘A Barraca do Beijo’) como Nate, Sydney Sweeney (‘Objetos Cortantes’ e ‘O Conto da Aia’) como Cassie, Barbie Ferreira (‘Divorce‘) como Kat e Alexa Demie (‘Anos 90’) como Maddy. Dá vontade de entregar um Emmy para cada ator do elenco, já que não existem defeitos e cada um cabe muito bem em seu personagem e explorando de uma forma que chega a arrepiar o corpo todo. Dando um destaque especial para Eric Dane (‘Greys Anatomy’) como o pai de Nate, protagonizando uma das melhores cenas junto de Elordi que já assisti na minha vida.

A direção de arte e fotografia chegam a arrepiar, onde os ângulos, movimentos e momentos de planos sequencia tiram seu folego durante o episódio, trazendo uma dinâmica diferente na narrativa e sendo algo muito divertido para aqueles que reclamam do tema e de serem ou não o “público alvo” da série – afinal isso é uma frescura e é muito bem possível dar uma chance sem criar um pré-conceito. A trilha sonora – muitas deles vindas de Labrinth – são as primeiras que procuro no Spotify logo que o episódio acaba, já que elas casam maravilhosamente com os momentos certos e fazem total diferença para a narrativa, já que se as vezes apenas a letra de uma música já diz tudo para aquele momento, seja ele alegre ou de tragédia.

A química de Rue e Jules (Zendaya e Hunter) é também uma das melhores que tenho visto no mundo das séries atualmente, sendo impossível não criar uma expectativa em cima da relação entre as duas, mesmo que o buraco da história seja mais embaixo sua relação acaba nos trazendo momentos de relaxamento da série, já que juntas trazem cenas muito divertidas, principalmente quando Lexi (Maude Apatow) se junta à elas em alguns momentos.

Os temas abordados na série – como sexualidade, drogas, álcool, depressão, sexo, vícios, traumas, abusos e a pressão sofrida na adolescência – são contadas de forma nunca vista por aí. São assuntos delicados e difíceis de serem contados, mas Euphoria faz isso com maestria e de maneira que todos conseguem entender o assunto, sem em nenhum momento romantizar as situações e mostrando a gravidade de muitos desses problemas, que muitos atos não afetam apenas sua vida mas de quem está próximo a você muitas vezes.

Eu até gostaria de ter algo para reclamar sobre Euphoria – seja o erro mais simples, já que nem tudo nessa vida é perfeito – mas é impossível. Tudo em volta dessa série funciona como em uma ópera bem orquestrado, onde nenhum erro acontece e o show é um grande sucesso. Fotografia, direção, elenco, edição e todo o resto não tem o que colocar defeito, apenas encher de elogios e #Emmys que podem estar por vir.

Euphoria (HBO)

No final das contas podemos concluir que Euphoria chegou mesmo para ficar – principalmente já com a sua renovação para uma segunda temporada confirmada. Com a equipe dos sonhos, a HBO mais um vez nos apresentou uma série que mesmo com o passar dos anos será falada e usada de exemplo para jovens diretores e atores, já que é a perfeição em formato de projeto de Tv. E que com um final de temporada em aberto e já sofrendo com ele, só podemos aguardar a próxima temporada e sentir saudade de Rue e seu humor ácido, sendo a amiga que todos gostariam de ter no colegial para andar no intervalo ou ir em uma festa.

Share