Desde seu lançamento em 2013, a série House of Cards é aclamada por uma trama política complexa e muito bem desenvolvida. Estrelada pelo consagrado ator Kevin Spacey, a produção original do Netflix conta a ascensão política de Frank Underwood, que começa a série como um deputado democrata, escala estrategicamente até a vice-presidência dos EUA e chega ao terceiro ano do programa como o homem mais poderoso do mundo livre. No final da segunda temporada, o espectador poderia esperar vida fácil ao personagem, que finalmente havia conquistado o poder que tanto almejava ao custo de sangue alheio e manipulações sem escrúpulos. Porém, com pendências e inimigos acumulados no passado, a história se prova bem diferente e mais uma vez surpreende com reviravoltas marcantes.

O protagonista continua magistralmente interpretado por Spacey, que dá vida ao anti-herói que consegue cativar o público mesmo tomando atitudes extremas em muitas ocasiões. Como principal suporte, Frank tem sua esposa Claire (Robin Wright), uma mulher igualmente implacável na política que agora tenta se tornar embaixadora da ONU ao invés de se adaptar a rotina de primeira-dama. A dupla, ganhadora de Globos de Ouro pela atuação no drama político, se mostra mais afiada do que nunca e acrescente uma nova camada de complexidade ao relacionamento do casal, que precisa balancear sua vida íntima com ameaças ao poder e as eleições para presidente de 2016. Com quase nenhum apoio no Congresso e baixa popularidade, é necessário que os dois sejam ainda mais ousados para virar o jogo.

Como chave para o sucesso do seu governo, o presidente Underwood cria o programa America Works, um projeto que tem como meta erradicar o desemprego no país. Graças ao que teve que fazer no passado, ele obviamente enfrenta resistência política de todos os lados e corre contra o tempo para ter bons resultados e garantir vitória na próxima eleição, que ocorre dentro de apenas 18 meses. Apesar do objetivo popular, o programa exige redução de programas sociais e cortes na previdência, o que obriga o presidente a buscar orçamento em segmentos delicados, como no fundo para combate a catástrofes naturais no meio de uma ameaça de furacão de grande escala. Isso nos leva a ver novamente o protagonista se articulando como poucos para atingir seu objetivo e sobreviver.

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A temporada temporada começa com a surpreendente recuperação física de Doug Stamper (Michael Kelly), que no final da segunda temporada teve um destino nada feliz. O personagem passa por uma reconstrução completa e precisa resolver questões pendentes antes de voltar a servir os Underwood. Esse lado da trama afasta o lado político e possui um tom mais íntimo, novamente abordando assuntos como família e vícios. Doug tem desenvolvimento constante ao longo da temporada e finalmente encerra seu ciclo com Rachel (Rachel Brosnahan), que se estende desde o início da série. Ao longo do caminho, vemos também uma conclusão para história do hacker Gavin Orsay (Jimmi Simpson).

Logo no terceiro episódio da temporada, temos a visita do presidente russo Viktor Petrov (Lars Mikkelsen) na Casa Branca e de cara percebemos que ele foi claramente inspirado na figura de Vladimir Putin. De forma polêmica, o personagem é arrogante e se mostra completamente oposto aos interesses americanos. A introdução de Petrov cria momentos de tensão internacional ainda maiores do que os vistos com a China na temporada anterior, exigindo toda habilidade diplomática dos Underwood para evitar um desastre político. Os esforços levam Frank e Claire até o Kremlin de Moscou para realizar um acordo e levar para casa um americano preso por participar de manifestação gay na Rússia. Vale mencionar que muitos acontecimentos da série envolvendo a Rússia retratam, querendo ou não, a realidade. Interessante notar que para fazer frente ao líder russo nos EUA a série escalou duas integrantes do Pussy Riot, que foram presas por se manifestar em Moscou.

Além de Petrov, a grande antagonista da temporada é a advogada-geral Heather Dunbar (Elizabeth Marvel), que se mostra uma adversária feroz na campanha para eleição presidencial de 2016. A tensão entre ela e Frank se desenvolve desde a investigação da temporada anterior e resulta numa das melhores cenas do terceiro ano: o debate televisivo entre os candidatos. A batalha por votos obriga Dunbar a ameaçar os Underwoods com fantasmas do passado, levando a personagem ao nível de disputa política que a série habituou seus espectadores e tornando incerto o futuro de Frank na Casa Branca.

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Praticamente todos os ataques sofridos por Frank ao longo da temporada abalam seu casamento de quase três décadas com Claire, que deseja tomar decisões por conta própria. Em meio a tudo isso, é introduzido na trama um escritor chamado Tom Yates (Paul Sparks), que é contratado por Frank para publicar um livro biográfico que promova sua vida política antes da eleição. Em uma das cenas com o escritor temos o emblemático recurso da série em que o olhar de Spacey fixa na câmera e ele se comunica exclusivamente com o espectador. Nesta ocasião Frank dispara uma das frases de mais efeito da temporada ao dizer que nenhum escritor resiste a uma boa história, assim como nenhum político resiste a fazer promessas que não pode cumprir.

Fora do núcleo principal, outros personagens já conhecidos tem suas tramas continuadas, como Freddy Hayes (Reg E. Cathey), que não trabalha mais com suas famosas costelinhas e torna-se jardineiro da Casa Branca. Remy Dalton (Mahershala Ali) volta a trabalhar para Frank na ausência de Doug e tenta se entender com Jackie Sharp (Molly Parker), que precisou se casar para ter mais força em sua campanha eleitoral, abalando a relação amorosa e profissional entre ambos. Muitos outros personagens retornam para pequenas participações, mas o foco se mantém até o fim na disputa por poder e relacionamento dos personagens principais.

Encerrando seu terceira temporada com os tradicionais treze episódios, a série deixa no ar questões que vão tornar a espera pelo próximo ano ainda mais cruel para os fãs. House of Cards consegue mais uma vez provar o motivo de colecionar prêmios e ser acompanhada por figuras como o presidente americano Barack Obama, se firmando como uma das melhores séries da atualidade. Apesar da quarta temporada não estar oficializada, o final deixa claro que uma crise ainda maior será enfrentada por Frank Underwood.

Ficha Técnica:
House of Cards – 3ª temporada – 2015
Duração: 13 episódios
Gênero: Drama/Política
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Nathan Darrow, Lars Mikkelsen, Elizabeth Marvel, Mahershala Ali, Rachel Brosnahan, Molly Parker, Larry Pine, Jayne Atkinson, Curtiss Cook, Derek Cecil, Mozhan Marnò, Kelly AuCoin, Jimmi Simpson, Paul Sparks e Reg E. Cathey

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