Resenha – House of Cards (4ª Temporada)

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House of Cards teve na última sexta-feira (04/03) o lançamento mundial de sua quarta temporada, acrescentando novamente 13 episódios de uma vez ao acervo da Netflix. Curiosamente, a série que trata do drama político americano volta durante a crise política no Brasil, o que nos lembra que as falcatruas mirabolantes de Frank Underwood (Kevin Spacey) não estão longe da nossa realidade. Partindo da onde paramos no ano anterior, a trama retorna com as eleições presidenciais pegando fogo e o foco do programa continua na vida dos Underwood. Kevin Spacey e Robin Wright mais uma vez são as estrelas e apresentam com grande realismo os desafios políticos de Frank e Claire, além da naturalidade na vida íntima do casal.

Neste quarto ano é retomada a velha rotina de ameaças, traições, mentiras, sabotagens e trabalho intenso dos personagens, enquanto novos problemas surgem durante a corrida presidencial. Os dois protagonistas possuem uma química impecável na tela e não por acaso faturaram Globo de Ouro por estes mesmos papéis. Como sugerido no fim do terceiro ano, esta temporada se inicia com uma batalha de interesses entre o Presidente e a Primeira Dama dos EUA, colocando ainda mais complexidade nestes personagens. Frank Underwood está ainda mais sombrio por conta da pressão que é presidir a Casa Branca, enquanto Claire precisa vencer o marido em uma disputa pessoal de poder. Ambos estão dispostos a vencer por qualquer custo e isto é retratado de maneira excepcional nas telas. O clássico recurso da quebra da quarta parede continua sendo utilizado por Spacey, porém com menos frequência que nos anos anteriores, o que deve ser sentido pelos fãs. Já os fãs de Wright não tem o que reclamar, com sua figura feminina mais forte do que nunca e novos detalhes do seu passado sendo revelados, inclusive com a introdução de sua mãe.

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Como sempre a série aborda temas contemporâneos e desta vez traz a crise mundial do petróleo, a polêmica da invasão de privacidade online, o desarmamento da população e o terrorismo em escala global, entre outros. A Netflix não se importa em exibir produtos Apple, marcas e jogos conhecidos, além de utilizar o jornal CNN no programa, o que só aumenta a aproximação com o público. Neste contexto, o cenário internacional é representado por China e Russia, com o Presidente Petrov (Lars Mikkelsen) retornando para mais uma participação marcante. Mas independente do que acontece no mundo, o foco continua sendo no núcleo principal e os personagens que o circulam, principalmente com Doug Stamper (Michael Kelly) e sua equipe trabalhando para que os planos do Presidente se concretizem. Praticamente todo elenco conhecido retorna, o que cria um ar de familiaridade com o espectador e reafirma a capacidade destes atores.

O roteiro da série continua como um de seus maiores trunfos e múltiplas tramas novas e antigas são interligadas, com eventos da primeira temporada ainda repercutindo. As reviravoltas são contínuas e com frequência o espectador é surpreendido com estratégias políticas, manipulações da mídia, investigações e conspirações em Washington. A disputa pela presidência com Heather Dumbar (Elizabeth Marvel) chega ao ápice e na segunda metade da temporada temos a introdução de um novo rival político: Will Conway (Joel Kinnaman, o Rick Flag do Esquadrão Suicida). Sem dúvida esta foi a maior adição ao elenco e criou uma figura ameaçadora para Frank. Evitando spoilers, podemos dizer que o personagem tem grande popularidade como Governador de Nova Iorque, sendo um adversário poderoso nas eleições. Os encontros entre Spacey e Kinnaman rendem diálogos afiados e alguns dos melhores momentos desta temporada.

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Na parte técnica é difícil encontrar defeitos em House of Cards, tendo a série uma produção digna do cinema. A abertura clássica retorna com imagens de Washington D.C. e sua trilha sonora orquestrada é muito bem posicionada durante os episódios. O programa conta com ótimos recursos de câmera e fotografia, capturando de forma precisa o ambiente político dos EUA. Para criar uma dinâmica mais agradável e acessível, a série apresenta eventos em ritmo acelerado e cortes rápidos, com mais de um diálogo ocorrendo simultaneamente. Alto valor de produção é outro motivo pelo qual a série é tão aclamada, sendo impressionante se tratando de uma série não encomendada por um canal de TV com expertise (como HBO).

Neste ”season finale” temos outro desfecho bombástico e fica a expectativa altíssima para 2017, já que a Netflix confirmou a quinta temporada! Infelizmente não teremos o retorno de Beau Willimon, criador e roteirista, que promete deixar o programa em mãos competentes. Esta série foi a primeira a ir tão longe como um produto específico para o serviço de streaming e não para TV, abrindo portas para outras produções grandiosas com o mesmo formato. A produção da Netflix continua espetacular e, caso ainda não tenha feito isso, recomendamos assistir House of Cards desde o início, pois é difícil se arrepender. Com mais de 50 episódios disponíveis, a série é uma excelente pedida pro tipo de espectador que odeia ficar esperando episódios semanais. Pode ser impossível prever o que o futuro reserva para Frank Underwood, mas podemos prometer uma coisa: Ele já conquistou nossos votos para continuar no poder!

Ficha Técnica:
House of Cards – 4ª temporada – 2016
Duração: 13 episódios
Gênero: Drama/Política
Roteiro: Beau Willimon
Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Joel Kinnaman, Michael Kelly, Nathan Darrow, Lars Mikkelsen, Elizabeth Marvel, Mahershala Ali, Molly Parker, Larry Pine, Jayne Atkinson, Curtiss Cook, Derek Cecil, Paul Sparks e Reg E. Cathey

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