Depois de uma longa espera, foi ao ar ontem a primeira temporada completa de Jessica Jones no Netflix. Logo, nada mais justo que depois de uma longa maratona esteja no ar o nosso parecer sobre a segunda série fruto da parceria entre a Marvel e o popular serviço de streaming. Nós já havíamos soltado nossas primeiras impressões com base nos sete primeiros episódios que foram cedidos pelo Netflix, mas com a temporada completa podemos trazer uma análise mais profunda, que você pode conferir agora mesmo.

Como esperado, a produção segue o alto nível estabelecido por Demolidor e compartilha do tom urbano e sombrio, porém com menos foco nas lutas e mais nas investigações da protagonista. Jessica Jones foi criada pelo famoso quadrinista Brian Michael Bendis no início dos anos 2000 e estrelou uma consagrada série em quadrinhos chamada Alias, daí o nome do escritório de investigação que vemos no Netflix. Assim como nas HQs, a Jessica Jones da série é uma mulher poderosa que desistiu da vida heroica e sofre com traumas do passado. O novo programa traz muito desta carga pesada e apresenta uma quantidade de bebida e sexo que até então inexistia no Universo Marvel das telas, mas já prende o espectador desde o primeiro episódio.

O pontapé inicial da série acontece quando um casal visita o escritório de Jessica e contrata a protagonista para encontrar Hope, uma jovem perdida em NY. No decorrer da investigação, Jones percebe que este não é um caso qualquer e os eventos estão ligados aos seu próprios fantasmas do passado. Apesar de ter super-poderes, Jessica prefere não usá-los e confia em suas habilidades como detetive para solucionar problemas e ganhar a vida na Cozinha do Inferno. Aos poucos o programa revela o motivo da protagonista ser como é e o que mais ela esconde. A atriz Krysten Ritter, conhecida pelos fãs de Breaking Bad (aquela namorada do Pinkman), se mostrou uma excelente escolha e soma mais um ponto positivo para escalação da Marvel. Ela consegue demonstrar bem todos os traços da personagem e tem carisma de sobra para toda temporada.

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Além da protagonista ser bem representada, o elenco de apoio da série é bastante competente. Temos Trish Walker (Rachael Taylor)conhecida das HQs e irmã adotiva de Jessica que tem um famoso programa de rádio de NY, Will Simpson (Wil Traval), um policial dedicado, Malcolm (Eka Darville), um vizinho de Jessica usuário de drogas, Jeryn Hogarth (Carrie-Anne Moss), uma grande advogada, além de outros personagens que compõem o elenco principal e possuem uma curva de desenvolvimento surpreendente. Porém, o mais poderoso aliado de Jessica é aquele que se tornou seu marido nas HQs: Luke Cage. Com série própria confirmada, o herói interpretado por Mike Colter é apresentado ao público e tem boas cenas de romance e ação ao lado de Jessica. Apesar de não vermos detalhes do seu passado, vemos seu famoso bar e temos boas amostras dos seus poderes. Apesar de sua habilidade ser relativamente conhecida, evitarei spoilers aqui e me limito a dizer que ele não é um cara fácil de derrubar. Cage vive pacificamente cuidando de seu negócio e se relaciona com Jessica para solucionar uma certa pendência do passado de ambos, se tornando assim um personagem fundamental para o desdobramento do enredo. É válido notar que com essa participação de gala o personagem mostra o que pode fazer e já prepara terreno para o seu próprio programa.

A série no geral desenvolve bem seu núcleo principal de personagens, contando com flashbacks recorrentes que aos poucos revelam o passado da Jessica e do seu antagonista, que é a grande ameaça do primeiro ao último episódio. Diferente de Demolidor, aqui não vemos cenas de treinamentos em artes marciais e as lutas são mais diretas, entretanto não menos intensas. O ritmo do programa se mantém cadenciado sempre demonstrando o quanto Jessica Jones é uma mulher forte que consegue superar traumas e dificuldades, nunca tendo vida fácil. Mesmo evitando usar seus poderes por razões perfeitamente explicadas, Jessica não tem medo de resolver problemas de maneira brutal e seu lado psicológico é explorado de maneira magistral. Vale destacar também a ascensão do protagonismo feminino na Marvel, que no cinema terá o filme solo da Capitã Marvel, e até na concorrente DC, que tem filme da Mulher-Maravilha sendo filmado agora mesmo e tem série da Supergirl sendo exibida em sua primeira temporada. É sem dúvida uma nova tendência, mesmo que aqui a atenção maior não seja nos poderes da personagem e sim no suspense da trama.

killgrave

Justiça seja feita: Não teria como esta série ser tão boa sem um grande vilão. Se você se impressionou com a crueldade do Rei do Crime em Demolidor, espere só até ver do que Kilgrave é capaz. Também conhecido como Homem-Púrpura nas HQs por uma razão óbvia, este vilão é capaz de controlar a mente das pessoas. O que por si só já permitiria um estrago gigantesco em qualquer lugar é potencializado por uma mente criminosa e uma criatividade sem precedentes. Ocorre que tudo aquilo que Kilgrave manda as pessoas fazem, fazendo dele um vilão simples e assustador. Devido ao seu poder de influenciar ações de qualquer um à sua volta, Kilgrave faz com que todas as suas cenas sejam tensas e passem a sensação de insegurança, criando reviravoltas inesperadas. Parte do encanto do personagem vem da belíssima atuação de David Tennant (conhecido por muitos como o Doctor Who), que garante ao vilão um ar arrogante e com seu sotaque britânico cria uma faceta única e constantemente ameaçadora. Para encarar esta ameaça cheia de amor e ódio ligada ao seu passado, Jessica precisa superar traumas e conta com alguns aliados, mas as emoções doentias do vilão garantem um confronto épico que se prolonga por toda temporada.

Na parte estética a série tem o cuidado de usar a cor púrpura em momentos específicos, principalmente tingindo os cenários sempre que existe a influência do vilão. Esta sacada cria uma atmosfera envolvente e demonstra o cuidado que a produção tem com sua parte técnica, que também escolhe bem sua trilha sonora e inclui referências da música ligadas aos personagens. Por falar nas famosas referências do Universo Marvel, como não poderia ser diferente a série traz inúmeras delas ao mundo do cinema e dos quadrinhos, além de dicas sutis sobre o futuro de alguns personagens até então pouco explorados. No fim das contas, o programa se prova como uma expansão valiosa para este universo que vem sendo construído cuidadosamente em conjunto com o Netflix. Para alegria dos leitores que curtiram a personagem na última década, é interessante notar o quanto aquele material colaborou para uma das melhores séries de 2015.

Se depois de assistir você virar fã da Jessica Jones e do Kilgrave, vale lembrar que os dois virão ao Brasil no mês que vem para Comic Con Experience. Com mais uma série de qualidade indiscutível em seu acervo, Marvel/Netflix tem a tarefa de continuar nos surpreendendo em 2016 e isso parece garantido com o Justiceiro reforçando a segunda temporada de Demolidor. Quanto a Jessica Jones, é bem provável que ela retorne o favor e apareça na série do Luke Cage antes do seu programa chegar ao segundo ano.

Ficha Técnica
Jessica Jones – 2015
Duração: 13 episódios
Gênero: Investigação/Drama/Ação
Criadora: Melissa Rosenberg
Elenco: Krysten Ritter, Mike Colter, David Tennant, Rachael Taylor, Carrie-Anne Moss, Eka Darville, Erin Moriarty, Wil Traval, Susie Abromeit Phil Cappadora

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