O mundo do cinema já foi agraciado diversas vezes com adaptações cinematográficas de grandes obras da literatura mundial. Na década passada tivemos a aclamada obra do escritor J.R.R. Tolkien dando nova proporção às adaptações: O Senhor dos Anéis. Em três anos foram lançados três filmes, um para cada livro, ganhadores de inúmeros prêmios, destacando-se o terceiro, O Retorno do Rei, vencedor de 11 Oscar, incluindo melhor filme em 2004. Com todo este peso e gerando uma imensa legião de fãs ao redor do globo, o sucesso da trilogia do Anel permitiu o retorno da Terra-Média às telonas. Contando novamente com o diretor Peter Jackson e personagens clássicos, O Hobbit dividiu opiniões sobre sua versão cinematográfica.

Desde o anúncio de que apenas um livro seria adaptado em uma trilogia, muito se perguntou sobre o que seria inevitavelmente adicionado ao cultuado material de origem. Para chegar a esta película, Peter Jackson teve que incluir ao longo de Uma Jornada Inesperada (2012) e A Desolação de Smaug (2013) muitos elementos que não estavam presentes na história original de Bilbo Bolseiro (Martin Freeman). Tais elementos permitiram que este terceiro ato fosse realmente sobre o que sugere o título: uma batalha. De forma controversa, uma batalha tão descomunal que deixa até mesmo o próprio Hobbit em segundo plano. Entretanto, mais uma vez tivemos uma ótima atuação do protagonista, com a perfeita representação da coragem dos hobbits. Do outro lado temos o ápice da transformação de Thorin Escudo de Carvalho (Richard Armitage), que finalmente recupera o lar dos anões e assume o trono de Erebor.

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Logo na abertura, o longa traz duas sequências muito aguardadas desde o final do filme anterior. O primeiro ato começa com o ataque do dragão Smaug (dublado por Benedict Cumberbatch) na Cidade do Lago. Este primeiro momento já é capaz de impressionar até o mais exigente cinéfilo, com uma qualidade visual incrível combinada com uma interpretação vocal brilhante do dragão e o grande momento do arqueiro Bard (Luke Evans).  Logo depois vemos a batalha do Conselho Branco contra as forças de Sauron em Dol Guldur. Nesta passagem temos outra demonstração impactante de efeitos visuais e ação envolvendo Elrond (Hugo Weaving), Saruman (Christopher Lee) e Galadriel (Cate Blanchett). Ao contrário da magia sutil vista em outras ocasiões, aqui o poder mágico é usado de forma apoteótica e o clímax do embate ajuda a conectar ainda mais a trama ao que acontece em O Senhor dos Anéis.

A partir daí o que temos é  a esperada guerra pelo inigualável tesouro da Montanha Solitária. O subtítulo A Batalha dos Cinco Exércitos foi dado porque no campo de batalha temos nada menos que: homens, elfos, anões, orcs e águias. Tudo isso é visto em escala grandiosa e o foco na ação coletiva surge da maneira que Peter Jackson consegue reproduzir como ninguém. Em termos visuais é difícil achar defeito neste capítulo derradeiro da hexalogia da Terra-Média. Toda tecnologia da WETA Digital que evoluiu ao longo da trilogia anterior chega ao ápice no ato final de O Hobbit. Novamente é de se impressionar a maestria na captura de movimentos, garantindo encarnações incrivelmente realistas aos personagens mais bestiais. Mesmo com toda carga dramática de um capítulo final e breves momentos de alívio cômico, como os do covarde Alfrid (Ryan Gage), o foco do filme é a batalha e as questões deixadas em aberto nos filmes anteriores são tratadas nesta última parte, fazendo deste o capítulo definitivo.

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Um dos personagens favoritos dos fãs, Legolas (Orlando Bloom), que não participa desta história no livro, protagoniza várias sequências de ação impressionantes e faz com que muita gente saia do cinema de queixo caído. Sua parceira, Tauriel (Evangeline Lilly), também tem boas cenas de luta e seu polêmico romance com o anão Kili (Aidan Turner) tem uma conclusão bastante emotiva. O núcleo dos elfos é altamente explorado na guerra, com Thranduil (Lee Pace), pai de Legolas, liderando a raça com sua perfeita coreografia de batalha. Do lado dos anões, tirando a companhia de Thorin vista nos filmes anteriores não temos muito desenvolvimento. Porém, as coisas se equilibram com a chegada do primo do rei anão, Dain (Billy Connolly), com o exército anão e sua montaria, um porco de guerra que rivaliza com o enorme cervo montado pelo rei élfico. Ver ambos exércitos em combate frente aos orcs é uma visão impressionante, potencializada pela maestria do diretor com ação em grande escala.

No meio de tantos personagens, o mago Gandalf (Ian Mckelen), assim como Bilbo, que teve grandes momentos nos filmes anteriores, desta vez participa apenas de momentos chaves. O ato final conta ainda com o confronto final entre Thorin e seu algoz, o líder orc Azog (Manu Bennet), numa tensa luta sobre água congelada. Elogiar a trilha sonora deste longa seria chover no molhado, pois ele segue a linha dos anteriores e traz de volta algumas composições conhecidas, como o velho tema do Condado. Apesar do filme ter duração superior em relação aos anteriores, ironicamente não foi possível mostrar em detalhes tudo o que aconteceu na guerra, portanto a já confirmada versão estendida, existente em todos os filmes da franquia, será uma boa pedida para os fãs no próximo ano, trazendo talvez novas cenas de luta envolvendo personagens que mal apareceram, como Beorn (Mikael Persbrandt) e as águias, como também algum desenvolvimento adicional para motivação de alguns personagens.

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Com personagens já estabelecidos anteriormente, Peter Jackson dedica as quase três horas de filme ao que o título sugere: ação. Não é exagero considerar este o filme mais acelerado da franquia e admitir que alguns personagens realmente tiveram participações breves, porém marcantes. O final da trilogia O Hobbit se conecta de forma definitiva com o que vimos em O Senhor dos Anéis e encerra seu ciclo de maneira triunfal. Infelizmente para os apreciadores da visão cinematográfica do diretor para o universo literário de Tolkien, este foi o último passeio que teremos neste mundo de fantasia em muito tempo. Quando Bilbo, já centenário, recebe a visita de Gandalf em sua casa no Condado, o espectador já sabe o que virá a seguir. Mesmo a saudade sendo cruel para os fãs, esta foi uma digna despedida da Terra­-Média.

Ficha Técnica
The Hobbit: The Battle of the Five Armies – 2014 (EUA)
Duração: 144 minutos
Gênero: Fantasia / Aventura
Direção: Peter Jackson
Roteiro: Fran Walsh, Peter Jackson, Guillermo Del Toro e Phlippa Boyens
Elenco: Martin Freeman, Ian McKellen, Richard Armitage, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch, Evangeline Lily, Luke Evans, Orlando Bloom, Christopher Lee e Hugo Weaving

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